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Gosto muito da definição oferecida por Bashar em um de seus vídeos onde é questionado sobre dinheiro e abundância. Ele responde que abundância ‘é a capacidade de fazer o que você precisa fazer no momento em que precisa fazer, ponto’. Aqui em inglês.

Ele faz questão de enfatizar que abundância nada tem a ver com dinheiro e também não diz que é a capacidade de fazer o que você quer fazer, mas sim o que você precisa fazer. Ter alimento no momento em que sente fome, isto também é abundância.

Dinheiro é uma coisa humana e para o Universo dinheiro não é prioridade. Se esperamos que nossa abundância venha apenas na forma de dinheiro, estamos criando uma resistência que impede que recebamos o que precisamos nas infinitas outras formas em que poderia chegar até nós.

Nós não recebemos necessariamente tudo o que desejamos. Recebemos o que precisamos para aprender as lições que precisamos aprender, que nos ajudarão no nosso caminho de desenvolvimento. Se isto puder ser realizado na forma de nossos desejos, ótimo, mas não é uma regra.

Vejo constantemente em mensagens espiritualistas a afirmação de que o Universo é infinitamente abundante, ele tem a capacidade de dar a todas as pessoas tudo que elas precisam em todos os momentos para atender a todas as suas necessidades. Ainda assim, em todo lado há uma gigantesca desigualdade.

Se o Universo é infinitamente abundante, porquê para algumas pessoas falta o básico? A resposta que me surge é que isto é um claro reflexo do estado atual da nossa consciência coletiva.

De fato, a nossa consciência não é coletiva. É individual.

Quando uns tem muito e outros tem pouco, cria-se um cenário onde muitas pessoas tem a oportunidade de fazer as coisas de forma diferente e assim desenvolver em si valores que sejam mais produtivos para o coletivo. O desperdício de alimentos é apenas um pequeno exemplo de uma destas situações.

Sabemos que a indústria alimentícia é bastante degradante. Desmata para fazer pasto e campo, polui a água e a terra com agrotóxicos, além de intoxicar quem produz e quem consome. Os alimentos industrializados são carregados de químicos que causam os mais diversos distúrbios de saúde. E o lixo gerado pelo desperdício ainda é mais um fator a poluir o planeta, pois é mal aproveitado. Para citar apenas alguns exemplos.

E me espanta que as mesmas pessoas que desperdiçam alimentos são incapazes de perceber que elas e suas famílias também serão impactadas por todos os problemas causados por esta necessidade de uma produção e consumo exagerados, e grande desperdício!

Podemos comprar a quantidade adequada de alimentos, buscar uma alimentação mais natural, optar por pequenos produtores locais, preparar uma quantidade adequada a necessidade da família, reaproveitar todas as sobras, destinar lixo orgânico a compostagem.

São tantas as possibilidades de fazer diferente quando se trata de alimentação e cada ação desta é capaz de nos ensinar pequenas lições que nos ajudarão no caminho de nosso desenvolvimento moral e espiritual.

Cabe a nós identificar que crenças mantemos e nos observar, pois a forma como agimos em cada situação tem muito a nos dizer sobre nós mesmos, como é o caso em “é melhor sobrar do que faltar”. Quando buscamos nos conhecer, conseguimos identificar em nossos pensamentos e ações estes paradigmas, e podemos então substituí-los por outros mais úteis a nós e ao coletivo. Que tal “é melhor não sobrar do que desperdiçar”?

O próximo passo na evolução humana é sair da consciência de sobrevivência e entrar na consciência da unidade, onde cada ser se enxerga como parte do todo, e vê o todo como parte de si. Desta forma, pensa e age sempre em prol do todo.

E não custa lembrar que a mudança que queremos ver no mundo começa por nós mesmos. E para mudar o mundo, precisamos mudar a forma como nós fazemos as coisas.

Matéria original no DW 

Cultura da fartura impulsiona desperdício de alimentos no Brasil

Compras grandes demais e porções exageradas contribuem para que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de comida no lixo por ano, aponta estudo. Total desperdiçado seria suficiente para alimentar 13 milhões de pessoas.

A cultura do “é melhor sobrar do que faltar” impulsiona o desperdício de alimentos no Brasil, aponta uma pesquisa recente realizada pela Embrapa com apoio da Fundação Getúlio Vargas. O gosto pela fartura, desde a ida ao supermercado até o preparo das refeições, e a preferência por comida fresca à mesa faz com que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de comida no lixo por ano.

Além de ser associada à hospitalidade e ao cuidado com a família, a abundância está ligada ao status, aponta o estudo. “O Brasil é um país muito desigual, e a comida sinaliza riqueza. Famílias que enfrentaram pobreza no passado, por exemplo, tendem a gostar de preparar uma mesa farta, como forma de mostrar que vivem tempos melhores”, afirma Gustavo Porpino, analista da Embrapa e líder da pesquisa sobre desperdício, realizada no âmbito dos Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil.

Ter a despensa sempre abastecida também traz tranquilidade para quem tem baixo poder aquisitivo. Por ser prioridade no orçamento, a comida é comprada e estocada em grandes quantidades para garantir que será suficiente para todo o mês. Contudo, o preparo de porções exageradas e o não reaproveitamento das sobras fazem com que parte da comida vá diretamente para o lixo.

A classe social não é o que determina o desperdício, aponta a pesquisa da Embrapa. “As famílias que desperdiçam pouco não são necessariamente as mais pobres, mas as que adotam hábitos de consumo mais sustentáveis”, explica Porpino.

Na prática, são as pessoas que fazem compras menores, preparam lista de compras e reutilizam as sobras em novas refeições. A pesquisa, que ouviu 1.764 pessoas de toas as classes sociais e regiões do país, aponta que quem tem maior consciência sobre o impacto do desperdício no orçamento tende a descartar menos comida.

Segundo o estudo, a família brasileira joga fora quase 130 quilos de comida por ano, uma média de 41,6 quilos por pessoa. Os alimentos que mais vão para o lixo, por percentual do total desperdiçado, são: arroz (22%), carne bovina (20%), feijão (16%) e frango (15%).

Cálculos do Instituto Akatu, ONG voltada ao consumo consciente, indicam que se uma família brasileira que gasta em média 650 reais por mês com alimentos reduzisse pela metade o desperdício com comida e depositasse o valor equivalente (cerca de 90 reais por mês) numa poupança, acumularia cerca de 1 milhão de reais em 70 anos, considerando o rendimento anual.

Além de pesar no bolso, o desperdício prejudica o meio ambiente, pois os recursos utilizados na agricultura para a produção de alimentos, como água, acabam sendo em vão.

“A Fao [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] estima que se o desperdício de alimentos fosse concentrado em um único país, ele seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, depois dos EUA e da China, representando 8% das emissões globais, e o maior usuário de água, ultrapassando a Índia e a China”, compara Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

Além da renda familiar e de recursos naturais, com o desperdício de alimentos aptos ao consumo vai para o lixo também a oportunidade de alimentar quem sofre com a fome.

“No Brasil, o elevado desperdício de alimentos convive com a insegurança alimentar, uma combinação infeliz para um país onde 22,6% da população enfrenta algum nível de insegurança alimentar e com 54,8 milhões de pessoas vivendo com até 5,5 dólares por dia, linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial”, comenta Porpino.

A pesquisa sugere que os brasileiros não estão alheios aos malefícios do desperdício. A grande maioria dos entrevistados (94%) tem consciência de que devem evitá-lo. Segundo Porpino, as sobras até são guardadas na geladeira, como forma de aliviar a culpa, mas não são de fato reaproveitadas. Assim, o descarte é apenas procrastinado.

No âmbito internacional, um terço da produção total de alimentos, ou 1,3 bilhão de toneladas, vai para o lixo, o que seria suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas, de acordo com cálculos da Fao. Com base nesse cálculo, é possível estimar que 8,7 milhões de toneladas de comida são desperdiçadas no Brasil, o suficiente para alimentar mais de 13 milhões de pessoas.

Ainda de acordo com o estudo, os números do Brasil o posicionam à frente da maioria dos países europeus. Uma pesquisa da União Europeia publicada em 2017, por exemplo, revelou que na Alemanha, Espanha, Holanda e Hungria são desperdiçados, em média, 439 gramas de comida por domicílio por semana, enquanto no Brasil são 353 gramas por domicílio por dia.

Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas é reduzir pela metade o desperdício per capita de alimentos no mundo até 2030. Segundo Mattar, quantificar o desperdício de alimentos e fortalecer os sistemas de informação sobre a geração e coleta de resíduos em cada país é fundamental para que tal objetivo seja alcançado.

Diogo Luiz Miranda

Diogo Luiz Miranda

A mudança que queremos ver no mundo começa em nós, por isso compartilho ideias sobre autoconhecimento, espiritualidade e o novo pensamento.

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