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Existem muitos pontos de vista com relação a tudo que existe entre a terra e o céu. Alguns não acreditam em absolutamente nada além da matéria e de que tudo que existe surgiu do mero acaso. Alguns acreditam na existência infinita do espírito e de que tudo se origina de um Criador e para lá retorna. Cada ponto de vista é como uma lente que muda os contornos daquilo que está sendo observado.

É absolutamente impossível provar que um ponto de vista está certo e o outro errado. Basta pensar que mesmo a ciência é construída de teorias que são validadas ou invalidadas por experimentos. A cada dia que a tecnologia avança, novos equipamentos são construídos que permitem validar novas teorias que até pouco tempo atrás poderiam parecer completos absurdos. Ainda é importante observar que muitas teorias que já foram validadas no passado, com o tempo acabaram sendo invalidadas a medida que novos conhecimentos ou ferramentas de medição mais atualizadas surgiam.

As ciências humanas ainda são bastante limitadas. Não conseguimos obter uma verdade absoluta de nada que existe. Pense no átomo. Sabe-se que é formado de partículas subatômicas, mas as partículas ainda não são totalmente conhecidas e até se sugere que não existem sequer partículas, apenas energia. Pense na velocidade da luz que não se faz ideia do porquê é o valor que é. Achava-se que não podia ser ultrapassada por nada, mas já se acredita que algumas coisas a ultrapassam. Pense no salto quântico do elétron que desaparece e reaparece em outra posição e ninguém sabe onde vai enquanto isso.

Se isto é um fato para questões físicas, imagine para as questões metafísicas!

O direito de pensar e acreditar

Um ponto que parece ser consenso entre ciência e espiritualidade, é que tudo que existe no Universo é regido por leis universais absolutamente precisas. O homem é capaz de enviar um equipamento da Terra e prever com precisão de segundos o momento em que ele atingirá qualquer ponto do sistema solar.

Uma destas leis é a do livre arbítrio. Ainda não conhecemos ou temos ferramentas para medir cientificamente se esta lei afeta o que chamamos de matéria. Mas em uma visão metafísica, eu penso que podemos afirmar que o livre arbítrio é sim uma força que afeta a matéria. Ela garante que cada ser humano tenha o direito de pensar e acreditar no que quiser.

Até hoje não foi inventado nenhum mecanismo que lhe obrigue a pensar algo que você não tenha decidido por conta própria pensar. Ninguém ainda consegue lhe obrigar a acreditar em alguma coisa que você não queira acreditar.

Para complicar ainda mais, quando falamos de espiritualidade falamos de algo que é experiencial. Se você vê espíritos, não adianta dizer para o outro que é verdade que eles existem. Se ele não vê não será verdade para ele, mesmo que diga que acredita. Acreditar e ter certeza são coisas diferentes. E esta é uma das belezas deste sistema em que vivemos, pois somente por mérito próprio você pode experimentar a espiritualidade. É necessário acreditar para ver.

E falando em acreditar para ver, este é um mote da Lei da Atração. Semelhante atrai semelhante, então sempre que mantemos uma crença dentro de nós, o universo irá trazer para a nossa experiência fatos que confirmem a “verdade” em que acreditamos. É por este motivo que ambos os lados de uma discussão sempre estão convencidos de que possuem “provas” do que acreditam. No fim das contas, não há verdade absoluta de nada no universo.

Lidando com a variedade

Muitas das informações com as quais temos contato diariamente poder ir contra o que acreditamos por toda nossa vida. Estar aberto para acolher pontos de vista diferentes sem a necessidade de julgá-los como certos ou errados, é uma qualidade desenvolvida pelas pessoas que estão trabalhando para desenvolver a sua consciência. Elas compreendem que um outro ponto de vista é antes de mais nada um presente que lhe é oferecido, e que pode lhe trazer uma nova forma de ver as coisas, mudando sua visão do mundo.

Muita gente ainda tem a necessidade ou impulso de se expressar em alto e bom som quando se depara com uma crença diferente da sua. Julga o diferente como errado e tenta convencer o outro de que apenas ela possui a verdade.

No caminho do autoconhecimento, invariavelmente passamos pelo aprendizado da importância do desapego. Talvez a coisa mais importante e difícil que precisamos aprender a desapegar é exatamente esta necessidade de ter razão.

Ela é a raiz de uma infinidade de discussões, problemas e sofrimentos. Quando somos capazes de ter contato com algo em que não acreditamos e conseguimos controlar o impulso de discordar, permitimos que todas as possibilidades coexistam em harmonia.

Estou tentando lhe ajudar!

Algumas vezes este impulso de expor alguma coisa que sabemos ou acreditamos vem de um lugar nobre, o de querer ajudar o próximo. O vemos sofrendo e conseguimos ver claramente um motivo que ele ainda não vê. Ou já passamos pela mesma situação e aprendemos algumas lições que podemos compartilhar. O problema nesta situação é que nem sempre o outro está preparado para ouvir o que queremos lhe dizer.

Precisamos aceitar que cada pessoa tem o seu próprio caminho e aprenderá certas lições somente quando estiver pronta para aprender. Quando tentamos mostrar para outra pessoa onde pensamos que ela está errando, muitas vezes acabamos criando uma resistência que piora a situação. Quando há resistência, nenhuma ajuda é bem recebida.

Nestes casos, nossas melhores intenções acabam sendo um tiro no pé e o que era para ser ajuda acaba sendo confundido com uma “lição de moral”. Nós só podemos ajudar quem realmente deseja receber ajuda. Às vezes tudo que o outro precisa é desabafar, e nestes casos querer lhe apontar os erros e tocar nas feridas não trará grande benefício.

Qual a utilidade de ter razão?

Li uma matéria a pouco que falava sobre como a teoria da terra plana tem se popularizado por causa de alguns vídeos no Youtube. Este é um assunto controverso onde sempre haverá quem concorda e quem discorda. Porém, o melhor aprendizado vem de observar como as pessoas fazem isso. Veja o exemplo abaixo:

 

 

Sempre que observo esse tipo de situação me pego refletindo. E que diferença faz?

Se a terra é redonda ou plana, de fato eu não poderia provar. Eu acredito que é redonda pelos inúmeros motivos que estão disponíveis, mas nunca fui ao espaço para confirmar com meus próprios olhos.

Agora, que diferença fará na minha vida se ela for realmente plana? Provavelmente nenhuma. E que diferença fará na minha vida se alguém quer acreditar que ela é plana e é o centro do universo? Nenhuma também.

Então, qual é a utilidade de se afetar tanto com a opinião de outra pessoa sobre qualquer coisa, a ponto de discutir publicamente, ofendendo e criticando apenas por ela ter escolhido acreditar em algo diferente? Qual a utilidade de querer ter razão em algo assim?

Eu não consigo encontrar nenhuma. Apenas sinto aquela chamada “vergonha alheia” por quem está ali discutindo.

A vida é um espelho

Mas quantas vezes será que já não fui pego na mesma armadilha, tentando convencer outras pessoas de que as minhas crenças ou opiniões merecem mais crédito do que as delas? Pois é, várias. Eu já fui o motivo de vergonha alheia para outras pessoas que já haviam aprendido esta lição antes de mim. Aliás, ainda sou algumas vezes, mas é errando que a gente aprende.

Esta é uma das chaves do autoconhecimento. A vida é um espelho e tudo reflete quem somos. Aquilo que nos incomoda no outro ensina algo sobre nós mesmos, precisamos apenas aprender a olhar. Aquilo que enxergamos no outro quer nos mostrar algo em nós mesmos que talvez não consigamos ver diretamente.

Desapegar da necessidade de expor demais nossos pontos de vista e aprender a aceitar pontos de vista diferentes é um passo importante para quem busca o desenvolvimento pessoal. Além disso, é totalmente possível expor qualquer ponto de vista sem ofender, mesmo que seja contraditório.

Refletir sobre quais motivos nos levam a demonstrar determinados comportamentos nos ajuda a descobrir aquelas coisas que ficam ocultas pelos cantos do nosso ser e que acabam se manifestando na forma de comportamentos dos quais não nos orgulhamos depois.

Estes são os nossos “esqueletos no armário”!

Diogo Luiz Miranda

Diogo Luiz Miranda

A mudança que queremos ver no mundo começa em nós, por isso compartilho ideias sobre autoconhecimento, espiritualidade e o novo pensamento.

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