Ayahuasca, iagê, daime, vegetal, hoasca, vinho da Alma, professor dos professores. Muitos nomes descrevem o hoje famoso chá, produzido a partir de duas plantas nativas da região amazônica. Apesar de sua crescente popularização, suas origens são milenares.

A ayahuasca é utilizada tradicionalmente em países como Estados Unidos, Austrália, Peru, Equador, Colômbia, Bolívia e Brasil e ainda por pelo menos 72 diferentes tribos indígenas da Amazônia. Há estimativas do início da sua utilização e dispersão entre as tribos ameríndias entre 1500 e 2000 a.C., estando, entre os principais estudos dessa datação, os realizados pelo etnógrafo equatoriano Plutarco Naranjo, que sumariou a pouca informação disponível sobre a pré-história da ayahuasca a partir de evidências arqueológicas abundantes em vasos de cerâmica, estatuetas antropomórficas e outros artefatos. Wikipédia

Durante estes últimos 4.000 anos, a tradição da Ayahuasca tem sido mantida pelas populações indígenas, porém, a cada dia ela se torna mais conhecida e procurada, saindo da floresta e vindo parar na cidade.

Mas, o que torna esta bebida tão especial?

Tempo de mudanças

Estamos entrando na era de Aquário. O símbolo do signo de Aquário () é composto de duas ondas que simbolizam a união entre razão e intuição. A vibração deste signo é a do humanitarismo, onde a obrigação moral do homem é a de trabalhar para promover o bem-estar da humanidade.

Aquário é regido pelo planeta Urano. Este planeta representa o despertar, a mudança, a renovação, a transformação. Tudo que ele toca é transformado, normalmente de forma radical, pois com as mudanças vem crescimento.  Urano leva cerca de 84 anos para dar a volta no zodíaco, passando cerca de 7 anos em cada signo. Em Maio de 2018, Urano entrou no signo de Touro, signo da estabilidade, das raízes profundas, do amor e da lealdade ao que é familiar, um signo de grande paciência.  Touro rege a casa 2 do mapa astral, a casa dos valores, daquilo que consideramos importante, aquilo que nos dá segurança.

A astrologia funciona como os mostradores de um relógio, nos apontando as horas para que possamos nos organizar. Se sairmos a rua e olharmos a posição do sol, podemos ter uma boa ideia de que horas são também. Não é difícil perceber em muito do que tem acontecido nestes anos recentes (2018 em diante) a influência dos regentes da nova era. O cenário econômico e político especialmente tem sido palco de um crescente acúmulo de energia e parece estar pronto para explodir a qualquer momento, e quando acontecer, será com a intensidade de Urano, do raio que em segundos transforma e tocará a estabilidade e paciência de Touro, que quando provocado pode ser esmagador.

Da mesma forma como tem acontecido no cenário externo da vida, no palco interno não é diferente. Na verdade, o que estamos observando fora nada mais é do que um reflexo do que está acontecendo dentro das pessoas, onde a energia da nova era está agindo e transformando. A tensão acumulada ao longo de muito tempo está a ponto de explodir, é o momento de Urano, do despertar, o momento da humanidade se reinventar. A nova era trará invariavelmente mudanças inimagináveis a nós seres humanos e ao planeta Terra. Estamos sendo impulsionados internamente a buscar nosso desenvolvimento espiritual e moral, de forma que estes se aproximem e se alinhem ao nosso desenvolvimento tecnológico, pois a junção destes é a receita para que a civilização humana prospere e se torne apta a sentar a mesa com os adultos em termos de consciência.

Ayahuasca, ferramenta de transformação

Cada um de nós tem um caminho a seguir para o seu desenvolvimento e crescimento. Cada ser humano que decide ouvir o chamado interno para sair da ilusão criada pelo mundo da matéria e recuperar sua consciência sobre a verdadeira natureza da experiência humana, é amorosamente guiado em um caminho e levado ao encontro das ferramentas de que precisa. A Ayahuasca foi uma das ferramentas que vieram ao meu encontro. Faz pouco mais de um ano que tive o primeiro contato com ela e apesar do curto período de tempo, afirmo que foi a experiência mais transformadora pela qual já passei. Algumas pessoas dizem que é como diversas seções de terapia em uma única seção, e isto talvez não seja um exagero.

É extremamente difícil explicar em palavras o que é que acontece durante um ritual com a medicina, as experiências são muitas vezes incompreensíveis a mente racional e exigem tempo para que sejam digeridas, com informações vindo a superfície tempos após a cerimônia e trazendo novas compreensões. Seria pretenção minha tentar descrever o que senti e o que vi, e qualquer tentativa que eu faça, certamente ficaria longe da realidade. Costumo dizer que nenhuma ficção criada pela mente humana é capaz de se aproximar da maravilha e da complexidade do Universo.

Após 18 anos de estudos, o Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas do Brasil retirou, em 23 de novembro de 2006, a ayahuasca da lista de drogas alucinógenas definitivamente. A ayahuasca já havia sido excluída desta lista em caráter provisório desde setembro de 1987. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional analisa transformar a ayahuasca em patrimônio imaterial da cultura brasileira, a pedido do então ministro Gilberto Gil e das religiões que comungam da bebida. No Peru, a bebida já foi declarada patrimônio cultural da nação. No Peru, a ayahuasca passou a ser considerada patrimônio cultural da nação a partir de 2008. Wikipedia

Porém, o grande poder de transformação da Ayahuasca está muito além das “mirações” o nome dado as visões que surgem na tela mental enquanto se está “na força”, como é chamado o período em que a medicina está atuando e que seus efeitos físicos podem ser sentidos. Em seu uso há um aumento muito grande na nossa capacidade de percepção, e então somos capazes de tomar conhecimento sobre muitas das questões que permanecem escondidas nas profundezas do nosso ser, do subconsciente.

Como diz a letra de uma das músicas da medicina: “o Daime só é positivo para quem quer se corrigir”. Com a percepção expandida, é como se fosse tirado um véu da nossa consciência, um véu de ignorância que temos com relação a verdade de nós mesmos. Olhamos para nossas maiores dificuldades, para o que fizemos e deixamos de fazer, traumas, ressentimentos, mágoas e tudo mais que atrapalha nosso desenvolvimento  e percebemos com a clareza de um cristal onde podemos nos melhorar.

Não há desculpas, não há justificativas. Você sente no coração a verdade, por mais dura e desagradável que ela possa ser. 

O arco-íris após a tempestade

Um ritual com o uso da Ayahusca pode ser uma experiência bastante intensa fisicamente, emocionalmente e espiritualmente. O ambiente no qual a medicina é consagrada é de extrema importância, bem como quem dirige o trabalho e quem faz o apoio durante o ritual. A preparação pessoal é indispensável e quanto mais preparado você estiver física, mental e emocionalmente, mais produtiva e prazerosa será a experiência. Dependendo das condições de quem consagra, e da sua capacidade de manter a “firmeza”,  uma montanha russa de pensamentos e emoções podem surgir e isto normalmente não é nada agradável quando fica fora de controle. Não é incomum ver alguém durante o ritual dizendo “como faço para isso parar?”.

Esta mesma pessoa que chorando diz não aguentar mais aquilo, pouco depois ao fim do ritual está dançando, alegre e dizendo que foi a melhor experiência da sua vida e que já está pensando quando irá voltar. Após a tempestade emocional um arco-íris surge, trazendo bençãos e crescimento. Mas o verdadeiro trabalho acontece depois, no dia-a-dia, quando você precisa colocar em prática tudo aquilo que lhe foi trazido a consciência. É por meio das ações que demonstramos o quanto fomos capazes de aprender. De nada adianta tomar Ayahuasca uma vez por mês e passar os outros 29 dias fazendo tudo igual.

É importante a coragem de encarar nossas sombras de frente, olhar para o que precisamos melhorar e não deixar que isso afete nossa autoestima. Somos seres divinos vivendo uma experiência humana. Somos únicos, somos especiais. Olhar para nossos defeitos e agir para transmuta-los em virtudes, perdoando a nós mesmos e aos outros, desculpando e pedindo desculpas, é isto que irá tornar a experiência da Ayahuasca transformadora e especial.

Se você nunca tomou Ayahuasca

Apenas seu coração pode dizer se este caminho é útil para você. Se há curiosidade e um sentimento positivo, se você está buscando seu desenvolvimento e quer crescer, permita-se. Desarme-se de preconceitos e achismos, liberte-se de expectativas, revista-se da humildade necessária para lidar com qualquer coisa que é sagrada e vá viver esta experiência.

Escolha um local dentro de sua possibilidade e que lhe pareça sério. Se possível busque avaliações ou converse com pessoas que já estiveram no local. Prepare-se. Na semana anterior ao ritual busque manter pensamentos positivos, evite discussões, evite bebidas alcoólicas e qualquer tipo de droga e se possível, evite a ingestão de carnes e comidas pesadas. Especialmente nos 2 ou 3 dias antes do ritual, esforce-se para estar leve, física, energética e emocionalmente no dia da consagração. Tenha em mente um foco do que quer trabalhar lá, mantenha este foco em mente nos dias anteriores, pois esta informação é importante para quem lhe guia e funciona como uma autorização para que tais assuntos sejam trabalhados com você.

A casa onde haverá o ritual lhe informará suas exigências e no dia do ritual é importante que sejam esclarecidos os pontos principais para quem está consagrando pela primeira vez sobre como se portar. Durante o ritual, mantenha-se calmo, nada de mal poderá lhe acontecer, você não vai morrer, mas seu ego pode se sentir ameaçado e para se defender pode tentar lhe pregar peças incríveis, causar medo e lhe assustar. Concentre-se nas músicas, elas são escolhidas para guiar sua experiência.

Em Florianópolis, Santa Catarina, recomendo os seguintes locais que fazem trabalhos com a medicina da Ayahuasca: Instituto Espiritual Céu de RamatísCeu de Unalome

Busque focar sua atenção em seu interior, em sua experiência. É muito fácil quando estamos com a percepção expandida, “entrar” no trabalho de outra pessoa, e até mesmo sentir o que ela está sentindo. Se alguém estiver chorando ou passando mal, faça o seu melhor para não colocar sua atenção em tal pessoa, o trabalho é individual e ela está passando pelo que precisa no trabalho dela. Apesar de o trabalho ser individual, há um componente de grupo que é também de grande importância. Há uma troca energética entre todas as pessoas que compõem o grupo do trabalho e uma apoia a outra, ajuda a suportar as suas lições mesmo que não haja nenhuma interação entre elas. Estamos todos ligados em algum nível, e a sua cura é a minha cura. As pessoas que estarão em um determinado grupo sempre tem motivos para estarem ali juntas, nunca há nada fora do lugar.

Abra sua mente para receber e perceber as mensagens sutis que lhe chegam, elas podem vir no som ou no silêncio, como imagens, como sentimentos ou sensações físicas, sua atenção pode ser levada a algo acontecendo no ambiente, uma imagem, um artigo. Interaja com a experiência sempre. Em sua mente, pergunte o que quer saber e dê espaço para uma resposta surgir. Se sentir uma presença próxima a você, pergunte quem é e o que deseja. Não seja passivo, seja curioso pois cada pequena coisa poderá lhe ensinar grandes e importantes lições.

Talvez sua primeira experiência não seja das mais glamurosas. A primeira vez que tomei Ayahuasca sequer entrei na força, passei 4 horas sentado ouvindo música e observando o que acontecia ao meu redor, mas só depois percebi que eu mesmo havia causado isso e que isso já era o aprendizado daquele dia. Tudo ensina, sempre. Mas a persistência sempre é recompensada, e mesmo que durante algumas vezes você tenha experiências mais desafiadoras, elas são necessárias para limpar nosso interior, nos ensinar certas coisas e abrir caminho para que então possamos entrar em contato com ensinamentos e experiências mais sublimes.

Mas e os seres de luz? E as outras dimensões?

Fiz um esforço proposital para deixar de fora qualquer referência a questões místicas que são comuns nas experiências com a Ayahuasca. Como disse, a experiência de cada um é singular, e o elemental da Ayahuasca é um mestre inteligente que sabe exatamente o que mostrar a cada pessoa  para o seu momento atual e para o que ela precisa aprender naquele momento. Por isso é chamada de professor dos professores.

Muito mais importante do que qualquer experiência mística e espiritual que possamos ter, são os aprendizados que levamos para a vida. Mas isso não quer dizer que não haja diversão neste caminho. Podemos aprender tanto pela dor quanto pelo amor, é sempre nossa escolha a forma como encaramos as coisas. Nossa percepção molda nossa realidade. No meio de tantos puxões de orelha que recebemos durante o ritual, há também espaço para muitas maravilhas e para experiências que fazem verter lágrimas por sua beleza, seu amor, sua luz.

Entendi perfeitamente os problemas da relação com meu amor… O emaranhado, a confusão mental, pareceram se desfazer com a ajuda da ayahuasca. O mais importante: o chá me despiu de toda a arrogância e me deixou pronta a olhar para os meus próprios erros. Em nenhum momento ela me apontou os erros alheios, apenas os meus. Entendi que só nós mesmos podemos admitir nossos próprios erros. Percebi o quanto meus ouvidos andaram surdos aos meus entes mais queridos, me dei conta da minha incapacidade de ouvir.

O choro cessou e fui invadida por uma onda de bem estar e alegria. Ainda deitada no colchonete, gargalhava com as lembranças que iam surgindo na cabeça, histórias com meu pai, com amigos, irmãos… Uma viagem prazerosa. Senti uma ternura gigante pelas mulheres que me levaram até aquele lugar. Beijei-as e agradeci. Socialista Morena

Dependendo do local onde a bebida for consagrada, o ritual terá um formato totalmente diferente e isso influenciará muito as experiências e percepções. As crenças que temos são outro fator de extrema relevância, temos o livre arbítrio para escolher no que queremos acreditar, e a sabedoria da Natureza respeita isto acima de tudo, não violando nosso direito de não acreditar em algo. A máxima que rege a natureza é que “é preciso crer para ver”, apesar de a vida na matéria nos causar a impressão de que as coisas são ao contrário e que devemos ver para crer.

Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram. (João 20:29)“. Quantas camadas de significado é possível descobrir nas palavras do Mestre quando olhamos além do óbvio! Os grandes instrutores ensinam muito com poucas palavras. “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas. (Mateus 19:14)“. Enquanto crianças, não temos crenças e julgamentos que limitam o que podemos experimentar da realidade, e quando nos libertamos das limitações impostas pelo que escolhemos voluntariamente acreditar, abrimos espaço para descobrir as maravilhas do Universo.

Pessoalmente, tive a oportunidade de experimentar a multidimensionalidade do ser e o eterno agora onde passado, presente e futuro coexistem. Sentir a presença amorosa dos guias que me orientam e entender mais claramente suas mensagens. Ver e compreender na velocidade de um pensamento, cadeias de eventos que me ensinaram sobre a sincronicidade da vida e de que nunca, jamais, existe algo no lugar errado. Tudo está exatamente onde deve estar e exatamente como deve ser. Percebi a natureza amorosa, cuidadora e benevolente do Universo, onde mesmo no que percebemos como uma aparente “desgraça” há amor, justiça, ordem e evolução. Observei eventos que depois aconteceram de fato em minha vida. Pude perceber que a realidade física é um espelho, refletindo em meu exterior circunstâncias para que eu aprenda com elas sobre o que há em meu interior. Pude sentir a energia do ambiente, das pessoas e das coisas, entendendo a importância de observar com o que nos rodeamos a todo o tempo. Todas estas coisas me foram permitidas e mostradas apenas para torcer os meus ceticismos, pois eu era como Tomé, mas estava me esforçando para acreditar.

No entanto, a maior benção de todas é que devagar e com muito puxão de orelha estou descobrindo quem eu realmente sou. Para isso estou tendo que cavar fundo e jogar pás de coisas fora. Estou tendo que abrir, limpar e tratar as feridas que foram negadas durante muito tempo, um processo doloroso mas necessário. E a isso, devo minha eterna gratidão a todos os ancestrais que durante estes milhares de anos mantiveram esta medicina viva e a todos que se esforçam para que ela esteja disponível aqui na cidade, longe das matas de sua origem, onde ela vem nos trazer sua força, sua luz, seus ensinamentos e suas curas.

Nós estamos todos conectados; um ao outro, biologicamente. A terra, quimicamente. Ao resto do universo, atomicamente.
Diogo Luiz Miranda

Diogo Luiz Miranda

Eu sou um agente da mudança. Meu método é lhe oferecer algo sobre o que pensar. Minha missão é incentivar a busca pelo autoconhecimento e pela espiritualidade como ferramentas de desenvolvimento pessoal, pois através de nosso crescimento enquanto indivíduos, podemos transformar o mundo.

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